Avaí x Figueirense: o Clássico das Multidões de Floripa

Florianópolis é uma ilha de praias, pontes e turismo — mas duas vezes por ano, no mínimo, a ilha vira continente de futebol. O clássico entre Avaí Futebol Clube e Figueirense Futebol Clube, conhecido como Clássico das Multidões, é o maior de Santa Catarina e um dos mais equilibrados do futebol do Sul.
A rivalidade nasceu nos anos 1920 e atravessou o século alimentada por finais de Campeonato Catarinense, cruzamentos em Séries A e B do Brasileiro e uma disputa de bairro que separa a Estreito do centro da ilha. Em dia de clássico, a ponte Hercílio Luz parece dividir duas cidades em vez de ligar uma ilha ao continente.
Leão da Ilha contra o Furacão do Estreito
O Figueirense nasceu em 1921, no bairro do Estreito, na parte continental da cidade, e cresceu como clube de massa dos trabalhadores da região portuária. O Avaí surgiu em 1923, na ilha, e ganhou do próprio território o apelido de Leão da Ilha, além da fama de Time da Raça pela entrega em campo.
Desde os primeiros cruzamentos, o duelo carregou o recorte geográfico que alimenta qualquer grande clássico: ilha contra continente, centro contra bairro, azul e branco contra preto e branco. A proximidade física faz o resto — vizinhos, colegas de trabalho e parentes divididos por uma linha de fundo.

Ressacada e Orlando Scarpelli: dois caldeirões
O clássico se disputa em dois estádios de personalidade forte. A Ressacada, casa do Avaí, fica colada à avenida à beira-mar e é famosa pelo vento e pelo barulho ensurdecedor em noites decisivas. O Orlando Scarpelli, do Figueirense, encravado no Estreito, tem arquibancada grudada no campo e o apelido merecido de caldeirão alvinegro.
Quando o jogo é na Ressacada, o azul toma conta da orla; quando é no Scarpelli, o Estreito vira território hostil para qualquer visitante. A alternância de mando mantém o equilíbrio do clássico e garante que nenhum dos lados se acostume com a vantagem de jogar em casa.
Os dois lados em comparação
| Item | Avaí | Figueirense |
|---|---|---|
| Fundação | 1923 | 1921 |
| Território | Ilha de Santa Catarina | Bairro Estreito, continente |
| Estádio | Ressacada | Orlando Scarpelli |
| Cores | Azul e branco | Preto e branco |
| Apelidos | Leão da Ilha, Time da Raça | Figueira, Alvinegro |
Finais, acessos e a Série A
O Campeonato Catarinense foi por décadas um feudo do clássico: entre os dois clubes somam-se a maioria dos títulos estaduais, e finais seguidas entre eles marcaram os anos 1990 e 2000. Cada taça estadual carrega o peso dobrado de ter passado pelo rival no caminho.
No cenário nacional, o duelo subiu de patamar: os dois clubes se cruzaram em Séries A e B, transformando o clássico em pauta nacional. As campanhas do Avaí na elite e as boas temporadas do Figueirense no Brasileirão deram ao confronto vitrine que poucos clássicos regionais do Brasil têm.

Por que a ilha se divide
- Um século de rivalidade geográfica: ilha contra continente.
- Finais seguidas de Campeonato Catarinense, feudo da dupla.
- Dois estádios-caldeirão a poucos quilômetros de distância.
- Cruzamentos nacionais em Séries A e B do Brasileiro.
- Torcidas de massa que fazem jus ao nome Clássico das Multidões.
O Catarinense como feudo do clássico
O Campeonato Catarinense conviveu por décadas com uma certeza: o título passaria pelo clássico. Avaí e Figueirense somam a maioria dos troféus estaduais, e finais diretas entre os dois marcaram gerações de torcedores, com o segundo jogo sempre cercado de clima de guerra civil simbólica.
As campanhas nacionais elevaram a aposta: presenças na Série A, noites de Ressacada lotada em jogos contra gigantes do eixo e a sensação, compartilhada pelos dois lados, de que Santa Catarina merece assento permanente na elite. Quando um sobe, o outro se sente obrigado a responder.
A torcida avaiana transformou a Ressacada em referência de caldeirão litorâneo, e a alvinegra fez do Scarpelli um estádio onde nenhum favorito joga tranquilo. Dois templos pequenos, duas freguesias enormes de emoção.
A tradição da dupla vai além do campo profissional: as categorias de base dos dois clubes abastecem o futebol nacional há gerações, e os clássicos de aspirantes sempre foram tratados como aperitivo do jogo principal. Em Florianópolis, a rivalidade se herda como sobrenome.
O turismo da cidade aprendeu a conviver com o calendário: em semana de clássico, hotéis da ilha enchem de torcedores do continente e vice-versa, e as praias exibem a divisão de cores que o futebol impõe a cada edição do confronto.
Os ídolos locais completam o quadro: artilheiros que marcaram em capítulos decisivos viram nomes de rua na memória das torcidas, e cada nova promessa da base é apresentada ao torcedor com uma única pergunta — será que ela decide o clássico?
Em Florianópolis, o resultado do clássico decide mais que a tabela: decide o humor da orla, do Estreito e das pontes por semanas. E quando o próximo jogo chega, a cidade inteira lembra por que esse duelo carrega o nome que carrega.


